domingo, 7 de julho de 2013

Na Quermesse das Consciências, Viva o Bingão do Puxadinho da UFSC !!

Nos últimos 20 dias o Vale do Itajaí tem comemorado as festas juninas com um bingo de quermesse inusitado. O bingão da educação superior. 
A reitoria da UFSC está promovendo um leilão, entre os prefeitos, emblemático. Em nome de São Pedro, Santo Antônio e São João, quem irá ganhar a leitoa? 
Enquanto os estudantes estão nas ruas, como no resto do Brasil, e uma causa unificada já levou mais de uma vez, quase dez mil a reivindicar pela #FURB Federal, parte de nossas elites não consegue se colocar acima deste jogo e pensar o futuro do Vale a partir de suas condições contundentes apresentadas no presente. Nelas, o fato de ter uma universidade forte e respeitada pronta para ser federalizada. Preferem sucumbir. Sinal que o bingo está funcionando.
Nossos verdadeiros representantes precisam do movimento FURB Federal ativo, para contrapor o conformismo e a má fé. 
Pessoas acostumadas com o imediatismo da política e do empreendedorismo fácil tem dificuldade de colocar-se acima de um jogo de conveniências de curto prazo, onde uma reitoria parece brincar de Monopólio sem dar bola para a população e sem imaginar o que o Ministério Público poderia pensar sobre esta situação. Seja ela instalada em que cidade for.
Estudantes e trabalhadores de Blumenau lutam bravamente para economizar 0,20 a 0,30 centavos no transporte coletivo. Suas famílias, porém e eles próprios pagam um a dois salários mínimos por mês, para estudar. Que absurdo!
Acreditem, o represamento da federalização da FURB implica em estudantes e trabalhadores condenados a uma ainda maior e contínua exploração, quando estavam prestes a dar um passo enorme na direção inversa. Em um prazo bastante curto, apenas implementando o que o Ministro da Educação definiu em julho de 2012, teríamos 12.000 estudantes em condições de se dedicar a sua formação crítica e profissional. Doze mil famílias contempladas com recursos financeiros importantíssimos para suas vidas, e mais, EDUCAÇÃO. 
Há elites que efetivamente temem cidadãos prontos a ir para a rua informados e em condições de reivindicar algo mais contundente que redução de tarifa de ônibus. Este tipo de cidadão incomoda. Imaginem: se nossos estudantes ocuparam a reitoria da FURB há dois meses (convenientemente ninguém noticiou isso) e estão nas ruas, agora, enfrentando os políticos, vamos tomar cuidado com eles. Seus professores são igualmente perigosos e quanto menos deles melhor. 
O quadro se adensa. Logo os sindicatos sairão as ruas e as bandeiras estarão mais evidenciadas e ordenadas. Esta somatória é um risco para elites retrógradas que desejam todos enquadrados em seus currais, em seus departamentos de RH ou na lógica estamental dos escaninhos burocráticos. 
Por isso é mais conveniente produzir contextos midiáticos que desarmem a "opinião pública", fazendo do puxadinho da UFSC uma dádiva. E claro, sem a FURB. 
"Quando fizer o bem, faça-o aos poucos. Quando for praticar o mal, fazê-lo de uma só vez", já dizia Maquiavel.
O puxadinho é a alternativa rápida, e tentam implementá-lo, goela abaixo, desde agosto de 2011. É bom lembrar que o nosso poderá se instalar no meio de um pasto, como aquele de Joinville. Nada contra, afinal tudo indica que para seus artífices, estudante e trabalhador tem que pastar mesmo. 
Não há argumento coerente que sobreponha a vinda isolada da UFSC às virtudes da interlocução com a FURB. O patrimônio que a FURB disponibiliza está sendo esnobado bem como sua história séria e de compromissos com a sociedade, e também com esta mesma elite interesseira. Do mesmo modo o movimento que conquistou este direito está sendo profundamente desrespeitado. Estas lideranças problemáticas (esses mesmos, com a caneta e o dinheiro, que vocês sabem o nome), sem humildade, sequer reconhecem essa luta como a razão dos poucos avanços que estamos tendo agora. Pouco se empenharam pelo que está vindo e agora sentam-se na janelinha em nome de um pragmatismo nada probo.
Cuidado com aqueles que vão tentar nos empurrar uma versão requentada da dádiva do puxadinho.
Para concluir, é preciso dizer que, no presente é importante continuar a luta em nome de algo muito maior que um jogo circunscrito de conveniências políticas menores. Nossos verdadeiros representantes precisam do movimento FURB Federal ativo, para contrapor o conformismo e a má fé. O diálogo, característica primordial deste movimento, continua. E está a serviço de uma convicção. A de que precisamos criar a terceira universidade federal de Santa Catarina a partir da federalização da FURB, e com ela um corredor regional do conhecimento. Nada de puxadinhos isolados a serviço  do ego de uma ou outra pessoa, circunstancialmente no poder. Foi isso que levou estudantes e suas famílias as ruas e será o que definirá parcela significativa dos votos nas próximas eleições. Cuidado com aqueles que vão tentar nos empurrar uma versão requentada da dádiva do puxadinho.
Enquanto os cães ladram ou tentam nos contentar com os ossos e as sobras convenientes, nestes tempos de bingão, a educação superior no Vale não merece ser uma moeda tão desvalorizada. Vamos acompanhar os desdobramentos desta semana. #FURB Federal. 

domingo, 23 de junho de 2013

PELO FIM DOS POLÍTICOS PROFISSIONAIS!!! Pelo DIREITO AO VOTO NULO!

Amigos, creio que é chegada a hora de propormos alternativas institucionais para a reforma política nem sempre levados devidamente a sério. Sigo o espírito de Eça de Queiroz na frase a seguir. Entendo que é hora do fim dos políticos profissionais. 

De modo objetivo proponho o teto de apenas um mandato em cada nível para cada um deles. Um caminho como este fortaleceria o sistema e forçaria os partidos a se desencalacrarem. Forçaria os partidos para as bases. 

Os partidos sufocam as novas lideranças. Não as deixam emergir em nome dos caciques. Vejo este ponto de partida, controverso e pouco interessante a quem comanda os sistemas partidários, um ótimo ponto para o início de debate. Além deste aspecto o direito cidadão de rejeitar o pleito eleitoral pelo mecanismo do voto nulo, também é fundamental! Com estas premissas, podemos avançar para formas mais democráticas de estabilidade nos sistemas políticos democráticos. Pela RADICALIZAÇÃO DA DEMOCRACIA NO BRASIL!


Fonte da Imagem: Página Isto é Brasil - https://www.facebook.com/photo.php?fbid=451910571545057&set=a.248046831931433.57963.126470790755705&type=1&theater

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Estado do AM se mobiliza e cria o INSTITUTO AUTISMO NO AMAZONAS


Crianças e adolescentes com autismo ganham instituto especializado

Pais e voluntários da entidade relataram que ainda enfrentam muitas dificuldades em encontrar tratamento adequado.
[ i ]A sede do Instituto Autismo no Amazonas inaugurada nesta quarta-feira, tem capacidade para atender 40 crianças e adolescentes por semana.
Manaus - Com a capacidade para atender 40 crianças e adolescentes autistas por semana, o Instituto Autismo no Amazonas foi inaugurado nesta quarta-feira (30), em Manaus, e vai contar com uma equipe multidisciplinar formada de médicos, enfermeiros, psicopedagogos, dentistas e professores de educação física.
Não há números oficiais, mas a estimativa é que existam 20 mil autistas em todo o Amazonas. “Sabemos que 1% da população é autista e sabemos que os pais enfrentam muitas dificuldades para conseguir atendimento para seus filhos, principalmente nas escolas”, disse o presidente da entidade, Joaquim Melo.
A inauguração do instituto contou com a participação do governador em exercício José Melo, que reafirmou o compromisso do governo do Estado em ajudar as crianças especiais.
“Esta instituição é de utilidade pública. Esse tipo de trabalho é importante. Essas crianças precisam de um trabalho diferenciado e essa instituição já está com a documentação necessária para participar do Fundo de Promoção Social, que irá dar um apoio financeiro”, disse.
Para a vice-diretora do instituto Virgínia Barros, que tem um filho autista de 9 anos, ter um lugar para atender crianças autistas é muito importante para o desenvolvimento deles. “Os atendimentos voltados para crianças autistas são muito caros. E aqui, eles vão ter a oportunidade de fazer esses tratamentos com uma equipe preocupada em ajudá-los”, afirmou. 
Pais e voluntários da entidade relataram que ainda enfrentam muitas dificuldades em encontrar tratamento adequado para as crianças autistas no Amazonas. “Já temos mais de 300 famílias inscritas aqui no instituto. É um trabalho constante, incansável”, disse a pedagoga Daniele Farias, 31, que tem um filho de 4 anos com autismo.
A instituição está instalada na Rua Coronel Brito, 321, Conjunto Santos Dumont, bairro da Paz, zona centro-oeste e conta com a participação de pais e voluntários para manutenção das despesas. 
O Instituto Autismo no Amazonas está precisando de ajuda para mobiliar a sede e também de itens para terapia das crianças e adolescentes autistas, além de material de limpeza. Mais informações pelos telefones  8116-7415 e 9164-2776.  
Fonte: http://www.d24am.com/noticias/saude/criancas-e-adolescentes-com-autismo-ganham-instituto-especializado/79349

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Dois milhões de brasileiros afetados pelo autismo ganham proteção da lei


Dois milhões de brasileiros afetados pelo autismo ganham proteção da lei

IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO
Uma lei instituindo a política nacional para proteção aos direitos da pessoa com transtorno do espectro autista acabou de ser promulgada.
Mas a data, 27/12, espremida no meio do feriadão entre Natal e Ano-Novo, passou despercebida, assim como o problema, que atinge estimados 2 milhões de brasileiros -uma população três vezes maior do que a portadora de síndrome de Down.
A nova lei 12.764/12 assegura aos autistas os benefícios legais de todos os portadores de deficiência, que incluem desde a reserva de vagas em empresas com mais de cem funcionários, até o atendimento preferencial em bancos e repartições públicas.
"Os autistas no Brasil são invisíveis. A população não sabe o que é, a maioria dos profissionais não sabe do que se trata", diz o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do programa de transtornos do espectro autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.
É quase um quebra-cabeça compreender e reconhecer o autismo, que pode se apresentar tanto numa pessoa com alguma habilidade extraordinária e boa cognição quanto em alguém com séria deficiência intelectual e que não consegue se comunicar verbalmente.
Por isso, hoje, é chamado de espectro autista, um guarda-chuva que abriga os diversos graus de severidade do distúrbio.
Os diferentes tipos têm três características em comum: comprometimento na área de comunicação e linguagem; transtornos de socialização; interesses restritos e comportamentos repetitivos.
Editoria de Arte/Folhapress
São alterações que podem ser chamadas de comportamentais, mas a teoria mais aceita atualmente é a de que as causas são genéticas.
"Existem mais de mil genes possivelmente comprometidos que podem levar ao autismo. Uns poucos são herdados, mas, na maior parte, são mutações espontâneas e imprevisíveis, ocorrem por acidente ", afirma Vadasz.
Os neurônios dos autistas são mais curtos e com menos ramificações, o que dificulta a condução, a transmissão e o processamento de informações. As alterações vão se manifestar até por volta de um ano e meio de vida.
INVISIBILIDADE
Isso aumenta a invisibilidade dessas pessoas. "Não dá para reconhecer pela aparência, é igual a de um bebê típico. E há casos em que o desenvolvimento no primeiro ano é normal e, depois, a criança deixa de falar e interagir. Imagine a angústia dos pais", diz Joana Portolese, neuropsicóloga e coordenadora da ONG Autismo e Realidade, de São Paulo.
Os casos em que o bebê começa a se desenvolver normalmente e depois volta para trás, chamados de autismo regressivo, correspondem a 10% dos autistas. Os outros 90% manifestam sintomas a partir do oitavo ou nono mês de vida, mas, na maioria das vezes, os sinais não são compreendidos pelos pais.
Embora não exista cura para o autismo, essas pessoas terão um prognóstico melhor se receberem tratamento -preferencialmente, o mais cedo possível.
As terapias incluem técnicas para desenvolver a comunicação por meio de cartões com figuras, criação de rotinas rígidas e sensibilização e orientação das pessoas que convivem com o autista.
"É lugar-comum dizer que o autista não faz contato, mas não é bem assim. Eles entendem o que se passa ao redor. A questão é como as informações são colocadas por nós para eles", diz Portolese.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1214573-nova-lei-protege-os-direitos-de-dois-milhoes-de-brasileiros-afetados-pelo-autismo.shtml

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Novos prefeitos devem universalizar acesso à pré-escola até fim do mandato



Amanda Cieglinski 

Do Portal EBC, em Brasília

Os prefeitos empossados na terça-feira (1°) terão uma tarefa especial a cumprir até o fim dos seus mandatos, em 2016. Não é promessa de campanha, é lei. É nesta data que terminará o prazo para a universalização da pré-escola, medida prevista em uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso Nacional em 2009.
A pré-escola é a etapa anterior ao ensino fundamental e compreende a faixa etária dos 4 aos 5 anos de idade. Antes da mudança na Constituição, o ensino fundamental era a única fase escolar obrigatória no Brasil. Depois da emenda, o ensino passa a ser obrigatório dos 4 aos 17 anos, incluindo a pré-escola, o ensino fundamental e o médio. É dever dos pais matricular seus filhos a partir dos 4 anos e obrigação das redes de ensino garantir a vaga para todos as crianças a partir da mesma idade. O prazo de adaptação à nova regra termina em 2016, por isso os novos prefeitos deverão ter como prioridade em seus mandatos ampliar o número de escolas e vagas na pré-escola.
Os dados mais recentes do IBGE indicam que 1.154.572 crianças de 4 e 5 anos ainda estavam fora da escola em 2010.  Apesar do enorme contingente ainda excluído, a matrícula na pré-escola avançou significativamente na última década. Em 2000, apenas 51,4% tinham acesso a educação nesta faixa etária, patamar que saltou para 80,1% em 2010.
"Em qualquer lugar do mundo, ter mais de 1 milhão de crianças fora da escola é muito. E se olharmos quem são essas crianças, é motivo para se preocupar ainda mais. Elas são as mais pobres, com algum tipo de deficiência e moradoras do campo. Esses são grupos que historicamente não têm acesso à escola", explica Cleuza Repulho, presidente da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e também secretária de educação de São Bernardo do Campo (SP).

Gastos municipais

O custo para as redes municipais garantirem o cumprimento da lei não é baixo. Será preciso construir mais escolas e contratar mais profissionais, além dos gastos necessários para manter as estruturas em funcionamento. Cleuza aponta que alguns municípios avançaram mais na cobertura da pré-escola porque se planejaram e organizaram a ampliação da oferta. Mas boa parte deles precisarão de mais recursos para conseguir cumprir a lei.
"Se a gente reconhece que 80% dos municípios brasileiros não têm arrecadação própria e vivem de repasse dos governos federal e estadual, a gente tem a clareza de que sem novos recursos não é possível ampliar a oferta", destaca.
A creche é a etapa escolar responsável por atender crianças com até 3 anos de idade – na sequência elas são encaminhadas à pré-escola. Entretanto, ela não é obrigatória. Por isso, o acesso das crianças à creche é ainda menor: apenas 23% da população nesta faixa etária frequentava a escola em 2010.
Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/01/02/novos-prefeitos-precisam-universalizar-acesso-a-pre-escola-ate-fim-do-mandato.htm


Educação é "prioridade absoluta", diz Dilma Rousseff

"O Brasil não terá crescimento sustentável se não investir em educação, e muito. Da creche à pós-graduação", disse a presidente, durante café da manhã com jornalistas. "Se não colocarmos dinheiro em educação, não tem saída."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A Sociedade Brasileira Precisa Conhecer o Autismo e Condenar este tipo de Preconceito Velado.



Discurso de psicóloga no "Domingão do Faustão" deixa mães de autistas e especialistas indignados

Tatiana Pronin
Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução
    A psicóloga Elizabeth Monteiro comentou o caso de Adam Lanza, autor do massacre na escola de Connecticut, no programa do último domingo (16)
    A psicóloga Elizabeth Monteiro comentou o caso de Adam Lanza, autor do massacre na escola de Connecticut, no programa do último domingo (16)
Um comentário de poucos minutos feito pela psicóloga Elizabeth Monteiro no programa do Faustão, na TV Globo, gerou indignação em centenas de mães de autistas e especialistas no último domingo (16). Misturando conceitos de psicopatia e da síndrome de Asperger, um tipo de autismo, a declaração fez muitas crianças diagnosticadas com o transtorno ficarem com medo de voltar à escola e serem tratadas como potenciais assassinas.
O apresentador aproveitou a presença da psicóloga no programa para comentar o caso de Adam Lanza, de 20 anos, que matou a própria mãe, 20 crianças e outros seis adultos em uma escola em Connecticut, nos EUA. Logo depois de descrever características comuns a psicopatas, como a inteligência e a falta de empatia, a psicóloga disse que tinha lido que Adam Lanza era um Asperger. "O Asperger é um tipo de autismo. Não é aquele autismo tradicional, que a pessoa não faz contato e às vezes não consegue aprender. O Asperger faz contato e às vezes ele é considerado uma pessoa inteligente", declarou.
Ela foi interrompida por Faustão, que passou a questionar se esse tipo de crime não poderia ser prevenido se os pais fossem capazes de notar comportamentos estranhos nos filhos precocemente. "Tem mãe que é cega", respondeu a psicóloga, citando como exemplo o caso de Suzane von Richthofen, que matou os pais em 2002 e era filha de psiquiatra.
O psicólogo Alexandre Costa e Silva, presidente da Casa da Esperança (instituição especializada em pessoas com transtorno do espectro autista), em Fortaleza, não acredita que Elizabeth Monteiro seja tão desinformada a ponto de confundir autismo com psicopatia. "Mas o fato é que, do modo como foram feitas, em um programa de grande audiência, as afirmações dela têm potencial para causar bastante confusão", diz o especialista.
E de fato causaram. A própria Casa da Esperança recebeu dezenas de mensagens de famílias confusas e preocupadas com a repercussão do programa. Ele cita o exemplo de uma mãe que estava prestes a contar ao filho que ele tem a síndrome de Asperger, após orientações de especialistas, mas desistiu por causa da associação feita com o assassino de Connecticut.
A jornalista e publicitária Andrea Werner Bonoli, mãe de um garoto diagnosticado com autismo e autora do blog Lagarta Vira Pupa, recebeu centenas de mensagens de mães após o programa. Segundo os relatos, várias crianças que têm o transtorno ficaram com medo de ser confundidas com assassinas. Uma chegou a perguntar para a mãe, depois de ouvir a psicóloga: "Vou matar uma pessoa quando crescer?"
A autora do blog decidiu escrever uma carta de repúdio e a divulgou nas redes sociais, por não ter conseguido um canal de comunicação com o programa. A repercussão foi imensa e acabou gerando até comentários indelicados, a ponto de Andrea decidir bloqueá-los. "Dizem que é uma tempestade em copo d’água, mas a cada mensagem que eu recebo, vejo que não é."

VEJA A RESPOSTA DA REDE GLOBO SOBRE O OCORRIDO

"Como foi ressaltado pela psicóloga Elizabeth Monteiro em sua participação no programa Domingão do Faustão, suas declarações a respeito do caso de Connecticut foram genéricas. A partir das poucas e desencontradas informações que circulavam no domingo sobre o que aconteceu nos Estados Unidos, ela fez alguns comentários, pontuando que falava de forma resumida e a partir de suposições.

Em nenhum momento, teve a intenção de fazer um diagnóstico. Tão pouco afirmou que o assassino fosse portador da Síndrome de Asperger, tendo citado a doença com base nas informações publicadas sobre o caso. Fora esta citação, a fala da psicóloga centrou-se genericamente nas características da psicopatia, indicando alguns sinais que pudessem servir de alerta aos pais, sempre com o intuito de prevenir e de estimular a busca do melhor diagnóstico. Aliás, a importância da consulta a profissionais de saúde é destacada sempre em nossas coberturas jornalísticas, assim como nas campanhas institucionais de entidades do segmento que a Rede Globo veicula gratuitamente com regularidade."
Ela, que participa de grupos de mães na internet que não têm relação com autismo, ainda disse que ouviu de muitas delas que, se não a conhecessem (e, por consequência, entendessem minimamente sobre o transtorno), ficariam com medo se soubessem que o filho tem um colega Asperger no colégio.
Retratação
Tanto Andrea quanto o psicólogo da Casa da Esperança acreditam que o mínimo que a TV Globo deveria fazer era trazer um especialista para fazer esclarecimentos. Até porque, além de toda confusão, a psicóloga passou uma informação errada: ela disse que algumas pessoas com Asperger são inteligentes, quando na verdade a inteligência acima da média é um dos critérios que definem a síndrome.
Procurada pelo UOL, a emissora afirmou que em nenhum momento a psicóloga teve a intenção de fazer um diagnóstico (veja texto ao lado). E não sinalizou a intenção de consertar o mal-entendido. Já a psicóloga divulgou uma carta de esclarecimento no Facebook (veja aqui).
Declarações equivocadas sobre o autismo e sua associação com o caso Adam Lanza também proliferaram em veículos de imprensa americanos. A CNN, por exemplo, convidou um psiquiatra para falar sobre o perfil do assassino, que apontou que autistas não têm capacidade de sentir empatia e "tem alguma coisa faltando no cérebro".
A Autistic Self Advocacy Network, entidade americana especializada no transtorno, enviou uma carta de esclarecimento aos meios de comunicação sobre o ocorrido, e muitos deles entrevistaram especialistas para esclarecer o equívoco.
A questão é que, em primeiro lugar, não existe a confirmação de que Adam Lanza tinha a síndrome de Asperger. Até agora, há apenas comentários de parentes, e uma declaração do irmão do jovem – ele disse que Adam era "meio autista".
"Enquanto não liberarem a ficha médica, não é possível dizer se ele realmente tinha a síndrome, ou se possuía algum transtorno associado, o que pode acontecer", afirma o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituo de Psiquiatria da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
É natural que as pessoas tentem atribuir algum problema mental a uma atitude abominável como matar crianças inocentes. Mas o médico é categórico: um Asperger (ou "Aspie", apelido carinhoso para quem tem a síndrome) jamais cometeria um ato como o de Connecticut. "Eles são ingênuos e têm uma fixação por seguir regras e leis", conta Vadasz. "Não existe, na literatura, nenhum relato associando a síndrome a crime", enfatiza o psiquiatra, que já atendeu mais de 3.000 autistas.
Alexandre Costa e Silva, que chegou a publicar um artigo bastante esclarecedor sobre a confusão feita no programa do Faustão, faz o mesmo tipo de ponderação. "Essas pessoas são ingênuas e incapazes de malícia, e frequentemente não conseguem mentir, nem fazer nada que considerem errado."
Estereótipos
Os equívocos em relação ao autismo não são recentes. Ambos os especialistas relatam que a confusão começou com a definição feita por Hans Asperger, médico alemão que deu nome à síndrome nos anos de 1940. Ele usou o termo "psicopatia autística", mas a primeira palavra, na época, queria dizer simplesmente que se tratava de uma doença mental.
  • Pessoas com Asperger frequentemente se identificam com o personagem Sheldon Cooper,
    do seriado "Big Bang Theory", que tem inteligência acima da média e vive cometendo gafes sociais
O fato é que autismo e psicopatia são condições completamente diferentes. Um psicopata é capaz de entender com maestria a mente dos outros, a ponto de manipular, enganar e, então, roubar ou matar. Já autistas são desprovidos do que os especialistas chamam de Teoria da Mente: a capacidade de atribuir pensamentos, crenças e intenções aos outros.
Segundo Vadasz, isso não quer dizer que eles sejam antissociais – eles inclusive sofrem, pois querem se relacionar. Também não procede a ideia de que autistas não têm sentimentos.Tanto que muitos deles se casam. "O que eles não conseguem é administrar os sentimentos", esclarece o psiquiatra.
A dificuldade de ler a mente dos outros e a incapacidade de mentir "por educação", como todos fazemos, inclusive leva autistas a cometerem uma série de gafes sociais. Não à toa, os pacientes costumam se identificar com personagens como Sheldon Cooper, de "Big Bang Theory", Data, de "Jornada nas Estrelas", e Sherlock Holmes, dos livros de Sir Arthur Conan Doyle.
Por fim, é preciso considerar que o autismo é um transtorno extremamente amplo, com diferentes evoluções. Inclui desde casos graves, em que o paciente não se comunica, a outros mais leves - nos quais se enquadra a síndrome de Asperger - em que o paciente pode ser um profissional de sucesso, que vive dando palestras. Tentar resumir o transtorno em poucos minutos para um público leigo invariavelmente pode levar a equívocos.
Em um artigo no Huffington Post que também esclarece as diferenças entre autismo e psicopatia, a colunista Emily Willingham, mãe de um garoto de 11 anos com Asperger, faz pensar sobre como é delicado fazer generalizações. Ela relata que o filho, ao saber da tragédia em Connecticut, derramou algumas lágrimas e imediatamente sugeriu que fossem buscar o irmão mais novo na escola. No caminho, ele ainda disse: "Não vamos contar a ele o que aconteceu. Não é algo que ele precisa saber. Isso só o deixaria ansioso e com medo".

Veja outros destaques do UOL Saúde




Foto 116 de 122 - Emma Whitehead, de 7 anos, com sua mãe Kari, em Philipsburg, Pensilvânia. Desesperada para salvar a menina, seus pais procuraram um tratamento experimental no Hospital Infantil da Filadélfia, que nunca tinha tinha sido feito em uma criança ou em qualquer pessoa com o tipo de leucemia Emma antes. O experimento, feito em abril, usou uma forma deficiente do vírus que causa a Aids para reprogramar geneticamente o sistema imunológico de Emma para matar as células cancerosas Mais Jeff Swensen/The New York Times

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O SUS reconhece negligência a população Autista

Linha de cuidado para tratamento de autismo é apresentada ao CNS

        Estima-se que cerca de dois milhões de pessoas vivem com autismo no Brasil. A disfunção afeta principalmente a capacidade de interação social, dificuldades de comunicação e alterações de comportamento. Para debater a situação do atendimento a essas pessoas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), o Conselho Nacional de Saúde (CNS) debateu na tarde dessa terça-feira (11) a Linha de Cuidado para Pessoas com Autismo no SUS.

        Mãe de um autista, militante da causa, conselheira nacional de saúde e principalmente usuária do SUS, Marisa Furia, representante da Associação Brasileira de Autismo (ABRA) expôs em uma fala emocionada sobre as dificuldades enfrentadas pelos autistas. Para ela é importante garantir que as redes de atenção do sistema público se atenham às demandas dessa população. “A minha família inteira apoiou a minha militância e por isso estou aqui hoje. Essa Linha de cuidado é uma grande esperança para nós. Espero que ela seja implantada de forma correta e ampla para todas as metodologias aprovadas”, disse.  

        Engajada também na luta das mães com filhos autistas, a representante da ABRA, Maria Helena de Azeredo tem filhos gêmeos com autismo. Foi escolhida pela entidade para fazer parte do grupo de trabalho que se debruçou no desenvolvimento do conteúdo da Linha de Cuidado. Ela conta que antes de surgir às diretrizes analisadas, o movimento encaminhou ao Ministério da Saúde questões que deveriam ser tratadas pela pasta. Entre elas estavam à realização de uma campanha nacional informativa sobre o autismo, um protocolo para diagnostico e tratamento do autismo no SUS, e a criação de Centros de Referência em autismo.

        “Melhorar o atendimento a esses seres humanos é reconhecer uma população que sempre foi negligenciada nesse País. Os nossos filhos precisam de tratamentos específicos que garantam também a inserção social. O autismo é um problema mundial, o investimento nessa área é necessário”, salientou Maria Helena.


        Intervenção precoce
        Felipe Cavalcanti, psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) apontou que o atendimento aos autistas deve incluir uma mudança no histórico de tratamento no Brasil, em que ainda prevalece um número de especialistas insatisfatório, infraestrutura de formação de especialistas inadequada, concentração demográfica desigual, entre outros aspectos.

        Nesse contexto, Cavalcanti também apontou para a necessidade de intervenção e diagnóstico precoce do autismo. “As novas intervenções com pessoas com autismo tem obtido resultados promissores que permitem a essas pessoas frequentar e acompanhar seus pares em ambientes escolares, comunitários e de trabalho”, ressaltou o pesquisador.


        Documento
        Responsável por conduzir os trabalhos do grupo que elaborou a Linha de Cuidado, Luciana Togni assessora técnica do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde afirmou que: “O SUS reconhece a negligência a essa população”. Segundo ela o documento dirige-se a gestores e profissionais do sistema, com vistas à ampliação do acesso e à qualificação da atenção às pessoas com autismo e suas famílias, em todos os pontos de atenção das diferentes Redes de Atenção à Saúde, capitaneado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

        A implementação da Linha de Cuidado, segundo Togni traz uma série de ações direcionadas ao tratamento das pessoas com autismo. “Espera-se que este guia possa servir como norteador das ações de ampliação do acesso e qualidade do cuidado ofertado às pessoas com autismo e suas famílias, como referência para as capacitações promovidas pelo Sistema Único de Saúde; como bibliografia de apoio a estudantes, familiares, profissionais e gestores de diferentes áreas”.

        Ao final do debate os conselheiros decidiram que o documento deverá ser analisado para considerações da Comissão Intersetorial de Saúde da Pessoa com Deficiência do CNS.

240ª RO240ª RO
240ª RO240ª RO
Fotos: Rafael Bicalho

        Para visualizar as fotos do 1º dia da 240ª RO, clique aqui.

Fonte: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2012/11_dez_linha.html